Citação Amores morrem.
Este foi um e-mail de um amigo que pediu que eu o revisasse antes dele enviar… Eu o salvei por me identificar com algumas partes do texto, pedi autorização na época para que um dia eu viesse a publicar e óbvio, dando o devido mérito ao autor. Quem disse que um coração partido não serve para nada? Esta parte do e-mail mostra que mesmo com o coração em pedaços podemos escrever coisas que nem o mais feliz dos felizes conseguiriam, descrever o ciclo do amor. Obrigado por confiar em mim ao pedir que o lesse antes de enviar e elogio o fato de mesmo com o coração nas mãos, transcrever em palavras o que sente e dizer que ainda partido o seu coração pulsa por alguém, amar é isso.
Todo dia morre um amor. Quase nunca percebemos, mas todos os dias morre um amor. Às vezes de forma lenta e gradativa, quase indolor, após anos e anos de rotina. Às vezes melodramaticamente, como nas piores novelas mexicanas como você mesmo dizia, com direito a bate-bocas vexaminosos, capazes de acordar o mais surdo dos vizinhos. Morre em uma cama de motel ou em frente à televisão de domingo. Morre sem beijo antes de dormir, sem mãos dadas, sem olhares compreensivos, com gosto de lágrima nos lábios. Morrem depois de telefonemas cada vez mais espaçados, cartas cada vez mais concisas, beijos que esfriam aos poucos. Morre da mais completa e letal inanição. Todo dia morre um amor. Às vezes com uma explosão, quase sempre com um suspiro. Todo dia morre um amor, embora nós, românticos mais na teoria que na prática, relutemos em admitir que nada seja mais dolorido do que a constatação de um fracasso. De saber que, mais uma vez, um amor morreu. Porque, por mais que não queiramos aprender a vida sempre nos ensina alguma coisa. E esta é a lição: amores morrem.
Todos os dias um amor é assassinado, com a adaga do tédio, a circunstância da indiferença, a forca do escárnio, a metralhadora da traição... A sacola de presentes devolvidos, os ponteiros tiquetaqueando no relógio, o silêncio insuportável depois de uma discussão: todo crime deixa evidências. Existem, por fim, os amores fênix. Aqueles que, apesar da luta diária pela sobrevivência, dos preconceitos da sociedade, das contas a pagar, da paixão que escasseia com o decorrer dos dias, meses e anos, da mesa-redonda no final de domingo, das cuecas penduradas no chuveiro, das toalhas molhadas sobre a cama e das brigas que não levam a nada, ressuscitam das cinzas a cada fim de dia e perduram: teimosos, belos, cegos e intensos. Mas estes são raríssimos e há quem duvide de sua existência. Alguns os chamam de amores-unicórnio, porque são de uma beleza tão pura e rara que jamais poderiam ter existido a não ser como lendas.